Symbiosis é uma instalação artística lumino-sonora. Fazem parte da mostra objetos-bicho ou pólipos artificiais responsivos que reagem à presença do público por meio de um sistema inspirado em espécies que vivem em simbiose. Este projeto transdisciplinar tomou forma na universidade, sob a influência de eventos que transcorreram entre 2020 a 2025, como a pandemia, polarização crescente, negação da ciência e a crescente divulgação de fenômenos climáticos extremos com impactos catastróficos. A percepção de que a capacidade de recuperação do meio ambiente está no limite, devido à exploração contínua e predatória dos recursos naturais, nos leva a uma reflexão mais profunda sobre ações antrópicas que afetam todas as espécies causando desequilíbrio ecológico. 
São exemplo, as transformações ocorridas em progressão alarmante nos oceanos. O aumento dos poluentes derivados de concreto e outras substâncias tóxicas e/ou radioativas nas águas, além do acúmulo de lixo plástico cada vez maior colocam os ambientes coralíneos e seus recifes em grave risco, assim como, a toda a cadeia de vida marinha que deles depende. Em 2026, a elevação das temperaturas e acidificação dos oceanos já conduziram ao branqueamento de 80% das colônias recifais no mundo. São por isso, um dos ecossistemas mais ameaçados do planeta. É um fenômeno que passa despercebido pela maioria das pessoas, ao ocorrer abaixo da linha d’água. E, embora os recifes de corais sejam berçários para inúmeras espécies e sustentem 25% da vida marinha podem desaparecer até o final deste século. 
Somos parte de uma complexa cadeia de relações interespecíficas. Além das populações costeiras que dependem diretamente do mar (sendo o pescado consumido por mais de 1 bilhão de pessoas) é preciso atentar para o fato de que a preservação de todos os ecossistemas naturais é fundamental para a manutenção de condições vitais para a nossa sobrevivência.  Porém, nossas interações ecológicas têm sido desarmônicas a tal ponto que, em pouquíssimo tempo, alteramos o clima do planeta. Em nome do "progresso" ampliamos  a poluição atmosférica e aceleramos a degradação dos oceanos, rios, lagos e de áreas florestais, em ritmo avassalador. Assim são dizimadas diferentes espécies das quais dependemos, direta ou indiretamente. 

Adotamos então, a noção de simbiogênese para situar a simbiose, e não a competição como motor de evolução. Como sugere Donna Haraway, no seu Manifesto das Espécies Companheiras [1]: “Humanos, onde quer que você os busque, são produtos de relacionalidades* situadas com organismos, ferramentas e muito mais” (Haraway, 2016, Trad/a).  Estamos entrelaçados às demais espécies, naturais e/ou artificiais, quer reconheçamos ou não.  Nossas ações têm graves consequências para todas as formas de vida que habitam o planeta. E afetam as gerações vindouras. Buscamos por isso, com Symbiosis, novos intercâmbios entre arte, ciência e tecnologia, para, de maneira poética, sensibilizar o visitante e estimular uma vivência que evoca estas inter-relações, sob a  premissa de que a natureza tem direitos que precisam ser garantidos para que possamos todos sobreviver:
                                             “Em vez de tratar a natureza como propriedade perante a lei, os direitos da natureza                                                 reconhecem que a natureza, em todas as suas formas de vida, tem o direito de existir,
                           persistir, manter e regenerar os seus ciclos vitais”.
 

(GARN - Aliança Global pelos Direitos da  Natureza, 2024, Trad/a) [2]
Sandra Kaffka (2026)
Relacionalidades: modos pelos quais pessoas, seres e o ambiente se conectam, construindo identidades, espaços e parentescos por meio de interações mútuas, no lugar de existirem como entidades isoladas.
[1]. HARAWAY, Donna. Manifesto das espécies companheiras. Ed. Bazar do Tempo, São Paulo, 2021.
[2] GARN. Global Aliance for the Rights of Nature. Em: https://www.garn.org/about-garn/

Mais informações sobre o tema do branqueamento de corais em:

Abrolhos teve perda expressiva de corais em menos de 20 anos.
 Climainfo. Em:  https://climainfo.org.br/2026/03/04/abrolhos-teve-perda-expressiva-de-corais-em-menos-de-20-anos/

Accelerating extinction rate triggers domino effect of biodiversity loss. United Nations. 21 May 2024. un. Em:https://news.un.org/en/story/2024/05/1150056

ALTINO, Lucas. Agricultura de corais': projeto mira reconstrução de recifes marinhos, ameaçados de sumir com o aquecimento dos oceanos. Umsoplaneta. Em: https://umsoplaneta.globo.com/biodiversidade/noticia/2026/06/03/agricultura-de-corais-projeto-mira-reconstrucao-de-recifes-marinhos-ameacados-de-sumir-com-o-aquecimento-dos-oceanos.ghtml 

BRAY, Edouard de. Why sustainable alternatives to plastic are struggling to compete. UNNews. Em: https://news.un.org/en/story/2026/06/1167670. Acesso: 15 jun 2025

CORTINHAS, Nilson. Branqueamento de corais avança no Brasil, ameaça espécies e revela faceta cruel da crise climática nos oceanos. Umsoplaneta. Em:
https://umsoplaneta.globo.com/biodiversidade/noticia/2026/04/15/branqueamento-de-corais-avanca-no-brasil-ameaca-especies-e-revela-faceta-cruel-da-crise-climatica-nos-oceanos.ghtml


Degradação dos oceanos avança mais rápido que ações de proteção e recuperação. Climainfo. Em: https://climainfo.org.br/2026/06/11/degradacao-dos-oceanos-avanca-mais-rapido-que-acoes-de-protecao-e-recuperacao/

Eakin, C.M., Heron, S.F., Connolly, S.R. et al. Severe and widespread coral reef damage during the 2014-2017 Global Coral Bleaching Event. Nature. Nat Commun 17, 1318 (2026). Em: https://doi.org/10.1038/s41467-025-67506-w

Oceanos estão mais elevados, aquecidos e poluídos, mostra relatório da ONU. Climainfo.
 Em: https://climainfo.org.br/2026/06/08/oceanos-estao-mais-elevados-aquecidos-e-poluidos-mostra-relatorio-da-onu/

PACHECO, Priscila. El Niño nem chegou e 55% dos corais do mundo estão em risco. Observatório do Clima. Disponível em: https://oc.eco.br/el-nino-nem-chegou-e-55-dos-corais-do-mundo-estao-em-risco/

PEIXOTO, Roberto. 80% dos corais do planeta sofreram branqueamento moderado ou severo, mostra estudo inédito. G1. 10/02/2026. G1. Em: https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/2026/02/10/corais-planeta-branqueamento-moderado-ou-severo-estudo-inedito.ghtml
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